Topo do Franchising · Edição 21
STÚDIO MEU CÍLIOS
Larissa Carpen · Maio 2026
O mercado da beleza mudou muito nos últimos anos. E poucas empresas perceberam isso tão cedo quanto o Studio Meus Cílios. Quando Larissa Carpn começou a atender clientes em Gramado, em 2017, o alongamento de cílios ainda era visto como um serviço relativamente novo fora dos grandes centros. Existia demanda crescente, mas pouca profissionalização no setor e quase nenhuma estrutura de rede. Na época, a operação funcionava de forma simples, com atendimento residencial e foco em fidelização. Mas existia uma percepção importante por trás do negócio: as mulheres estavam buscando praticidade.
“Elas queriam acordar prontas”, explica Rodrigo, hoje CEO da rede e responsável pela expansão da marca.
A leitura parecia óbvia, mas antecipava um movimento que cresceria rapidamente nos anos seguintes. O alongamento de cílios deixou de ser apenas um procedimento estético e passou a fazer parte da rotina de muitas consumidoras.
O Studio Meus Cílios cresceu acompanhando exatamente essa mudança de comportamento.
Nos primeiros anos, o principal desafio não era expansão. Era educação. Muitas clientes ainda não entendiam o procedimento, tinham receio da durabilidade ou desconheciam os cuidados necessários. A empresa precisou construir confiança em um segmento que ainda estava em consolidação. Ao mesmo tempo, o negócio começou a ampliar o mix de serviços.
Unhas em fibra, esmalteria, sobrancelhas, micropigmentação e escovaria foram incorporados à operação gradualmente, transformando as unidades em espaços de beleza mais completos e recorrentes. A ideia era aumentar frequência de consumo e criar uma experiência mais prática para a cliente.
O modelo de franquias começou a ser desenhado durante a pandemia.
Enquanto boa parte do setor operava em ritmo de cautela, Rodrigo enxergou uma oportunidade de estruturar a marca para crescimento nacional. A experiência anterior com franchising ajudou nesse processo.
A primeira unidade já dentro do padrão de rede foi aberta em Canela, também no Rio Grande do Sul, e serviu como validação operacional do modelo.
Foi ali que o Studio Meus Cílios deixou de funcionar apenas como uma empresa local e começou a operar como marca de expansão.
Rodrigo fala sobre franchising de maneira menos romantizada do que costuma aparecer no setor. Ele evita o discurso de sucesso rápido e prefere tratar a franquia como um processo de desenvolvimento.
“A rede funciona como uma escola. O franqueado vai precisar aprender, amadurecer e evoluir.”
Essa visão acabou influenciando diretamente o perfil da rede.
Hoje, boa parte das franqueadas são mulheres que buscavam independência financeira, mudança de rotina ou uma nova carreira profissional. Muitas nunca haviam empreendido antes.
Atualmente, o Studio Meus Cílios soma mais de 45 unidades comercializadas em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. A operação foi estruturada em modelos mais enxutos, com foco em eficiência de equipe e ocupação operacional. As unidades costumam trabalhar com quatro a nove profissionais simultaneamente, dependendo do tamanho da operação.
Segundo Rodrigo, o principal diferencial da rede não está apenas nos serviços oferecidos, mas na padronização da experiência e na formação de equipes.
“O cliente precisa confiar na marca independentemente da cidade onde será atendido.”
Um dos casos que ele gosta de mencionar é o de Daiane, franqueada de Gravataí, no Rio Grande do Sul. Ela entrou para a rede sem experiência anterior em franquias. Aprendeu o modelo, desenvolveu a operação e hoje possui duas unidades. Mas, para Rodrigo, o principal não é o número de lojas. É a transformação profissional que acompanha esse crescimento.
A meta do Studio Meus Cílios é atingir 100 unidades até o final de 2027. Mas existe outro movimento acontecendo junto com a expansão. A marca quer fortalecer o senso de comunidade entre as franqueadas e consolidar presença nacional dentro do setor de beleza. A primeira convenção anual da rede, planejada para acontecer em Gramado, faz parte justamente dessa estratégia.
Ao ser perguntada sobre o momento mais marcante da trajetória da empresa, Priscila não cita faturamento, expansão ou crescimento. Ela lembra de uma ação social. Uma criança recebeu os óculos e, pela primeira vez, conseguiu se enxergar com clareza diante do espelho.
“Foi um sentimento muito genuíno.”
A lembrança ainda emociona porque, segundo ela, foi naquele momento que ficou evidente o impacto real do trabalho que a empresa realiza.
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