Topo do Franchising · Edição 23
ICE ROLL
Roger Rodrigues · Junho 2026
Quando Roger Rodrigues voltou de uma viagem à Tailândia, em 2017, trouxe na bagagem algo que ainda era praticamente desconhecido no Brasil: o sorvete na chapa. Na época, o produto já atraía filas em mercados asiáticos.
O preparo acontecia diante do consumidor, sobre uma superfície congelada, transformando ingredientes líquidos em rolinhos de sorvete em poucos minutos.
O processo chamava atenção pela execução e pela interação com o público. Roger enxergou ali uma oportunidade que ia além do produto.
O mercado brasileiro já contava com grandes redes de sorveteria e gelateria, mas poucas operações exploravam o aspecto da experiência como elemento central da venda.
A proposta da Ice Roll nasceu justamente dessa combinação entre entretenimento e consumo.
De volta ao Brasil, Roger decidiu trazer aquele conceito para o mercado nacional.
O desafio inicial não foi conquistar clientes. O formato despertava curiosidade naturalmente. A dificuldade estava em convencer o mercado de que a marca não era apenas uma novidade passageira.
Os shopping centers, principais alvos da expansão, viam o segmento de sorvetes como uma categoria madura e altamente disputada. Para conquistar espaço, a empresa precisou demonstrar que oferecia algo diferente das operações tradicionais.
O que começou como uma aposta em um produto pouco conhecido acabou se transformando em uma rede presente em 21 estados e com 65 unidades em operação.
Apesar do sucesso inicial, os primeiros anos exigiram ajustes importantes. Trazer uma ideia de outro país não significava simplesmente reproduzir o modelo original. Foi necessário adaptar receitas, desenvolver novos produtos e entender o comportamento do consumidor brasileiro. A empresa investiu na construção de um cardápio que preservasse a essência do conceito, mas conversasse com hábitos locais. Ao longo desse processo, a marca percebeu que havia espaço para ampliar sua atuação. O sorvete na chapa continuava sendo o principal símbolo da operação, mas novos produtos começaram a ganhar relevância dentro das unidades.
Um dos movimentos mais importantes da história da Ice Roll aconteceu anos depois da fundação.
A entrada do gelato artesanal no portfólio marcou uma mudança significativa na estratégia da empresa. Mais do que ampliar o mix de produtos, a novidade ajudou a reposicionar a marca.
Com receitas inspiradas na tradição italiana e uma linha desenvolvida sem conservantes e aromatizantes, a empresa passou a dialogar também com um público que buscava opções mais naturais e alinhadas às novas tendências de consumo.
O movimento também contribuiu para fortalecer uma imagem mais premium da marca, especialmente através da expansão da linha zero.
A aceitação do público e o interesse de investidores fizeram com que a expansão acontecesse cedo. Ainda em 2017, a Ice Roll iniciou sua trajetória no franchising. A decisão trouxe desafios importantes. O principal deles era garantir que uma experiência tão ligada à execução fosse reproduzida da mesma maneira em diferentes regiões do país.
O preparo dos produtos exige técnica, treinamento e padronização. Por isso, a empresa investiu fortemente na criação de processos operacionais capazes de manter o mesmo padrão de qualidade independentemente da unidade. Hoje, a rede conta com cerca de 60 franqueados e mantém operações distribuídas por praticamente todas as regiões do Brasil.
Além do sorvete na chapa e dos gelatos artesanais, a Ice Roll ampliou seu portfólio com milk-shakes, cafés e produtos sazonais. A estratégia foi pensada para aumentar a frequência de consumo e reduzir a dependência de um único item.
Ao mesmo tempo, a empresa passou a desenvolver campanhas específicas ao longo do ano, criando novas oportunidades comerciais para os franqueados. Esse conjunto de iniciativas ajudou a tornar o modelo mais robusto e preparado para continuar crescendo.
A meta da Ice Roll é alcançar 100 unidades nos próximos anos.
O plano passa pela ampliação da presença nos principais shopping centers brasileiros e pelo fortalecimento do posicionamento construído ao longo dos últimos anos.
Mas, ao olhar para a trajetória da marca, chama atenção o fato de que o produto que deu origem ao negócio continua ocupando um papel central na identidade da empresa.
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